Aprender a ser inteiro com Castello Branco

CastelloBranco

Castello Branco | Acústico para a Videoteca Bodyspace

Lucas Castello Branco é uma das promessas da indie brasileira. Ou pelo menos foi com esse título pesado que viajou até Portugal, onde se deu a conhecer a um público tímido na Casa Independente, a 10 de Maio. Um concerto de fim de tarde de Domingo, quente como é quente e calorosa a música do brasileiro.

Castello Branco pode ser um músico promissor mas apresenta-se com uma simplicidade comovente. A guitarra é o único instrumento em palco, as músicas que traz estão despidas até aos seus trajes menores. Não é preciso muito para fazer deste um bom concerto, até porque Castello Branco desperta em nós uma simpatia instantânea. Talvez seja pela falta de jeito com que conduz o concerto (fazendo até uma pausa para xixi) ou talvez pelo sorriso aberto com que nos conta a sua história – há algo neste músico que cativa imediatamente.

A sua história? Sabemos que cresceu num mosteiro e que prefere falar em fé a apresentar-se como uma pessoa religiosa. Da infância, trouxe a palavra que deu título ao seu álbum de estreia – Serviço -, disponível para download gratuito no seu site. «Fiz pães, remédios, músicas e orações. Cuidava dos reinos e nas horas vagas eu tinha um violão.»

Foi quando decidiu ir morar no Rio de Janeiro que Castello Branco aprendeu «a ser inteiro», descreve. Conheceu a pressão de ter de viver num meio onde o materialismo é inevitável. Terá sido esta fase que leva Castello Branco a confessar-nos, com a tal simplicidade e sorriso aberto, que está a preparar um novo disco porque entretanto percebeu que precisava de vender a sua música depois da experiência do lançamento gratuito do primeiro trabalho.

Deste disco são já conhecidos temas como “Crer-Sendo” e “Necessidade”. Mas o público está tímido e os poucos que conhecem as letras não arriscam a entoá-las. O músico não se acanha e interrompe o concerto para comentar o impasse. Tenta assim levar o público para dentro da sua música, um sítio que se pode imaginar quente e solarengo, simples e confortável. Apesar da resistência, o alinhamento chega ao fim com sentimento de missão cumprida patente no sorriso do cantor. Tudo acaba demasiado cedo, a sua discografia ainda é curta.

Agora Castello Branco está rendido a Portugal. Vai passar pelo Porto e quer morar connosco. Por cá, queremos acompanhar o caminho desta promessa indie brasileira e aprender, com Castello Branco, a ser inteiro.

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