Capicua

Capicua: “A ira da medusa”

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Ler artigo originalmente publicado na Look Mag

Depois do Porto, Capicua desce a Lisboa para se consagrar como comandante da guerrilha cor-de-rosa na capital. “Medusa”, álbum de remisturas “e uma ou outra coisa nova”, é a estrela do Lux nesta noite de coroação da rapper portuense.

Em palco entram D-One, Virtus e Vítor Ferreira ao som de uma mistura das músicas mais recentes e conhecidas de Capicua. Atrás de mesas e computadores, vão tratar dos beats que se ouvem durante o concerto e das ilustrações criadas à medida e ritmo de cada som. O palco é ladeado por cortinas de medusas luminosas que escorrem do tecto e é por detrás de uma delas que Capicua surge em palco. Acompanha de M7, a sua comitiva, Capicua entra e, curiosamente, a música extingue-se. Poucos momentos depois, percebemos que é intencional.

A rapper cria um momento solene em que debita “a capella” as rimas de “Alfazema”. Começa assim com “Sereia Louca”, o álbum com que roubou a spotlight da música portuguesa em 2014 e que, um ano depois, recupera em formato de remisturas com “Medusa”. A mensagem é de respeito no feminino e prescinde facilmente do beat. «Com tradições nascem contradições opressivas/Como lições pra sermos fracas e reprimidas/Sem auto-estima, postas de lado como um talher/Não foi pra isso que nasci uma mulher». É também ideia omnipresente na narrativa de Capicua, ela que é «comandante da guerrilha cor-de-rosa» (“Maria Capaz”). E comanda o público exigindo braço no ar (até porque “Mão Pesada” é a segunda música que se ouve e combina com o gesto).

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Os singles da salvação

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Ler artigo originalmente publicado na Look Mag

Chegámos àquela altura do ano em que já só se pensa nos festivais de verão e em enfiar os pés na areia enquanto se destila inveja no Instagram com fotos de praias paradisíacas e refrescos gulosos. Chegámos, finalmente, às tardes nas esplanadas e aos sunsets.

Chegámos aos novos lançamentos, aquela altura tão especial em que as nossas bandas preferidas antecipam os trabalhos que vão chegar em breve com singles que despertam a curiosidade. Chegámos ao período de estágio para os festivais e já estávamos a precisar tanto disto quanto de vitórias do Sporting.

Aqui ficam os singles da salvação – playlist para sair da apatia do inverno e entrar directamente no verão, com a mesma convicção de um mergulho na piscina no Milhões de Festa.

Os Blur estão de volta e o mundo da música está aos saltos. “The Magic Whip” é o primeiro trabalho que o grupo edita em 12 anos e sai já a 27 de abril. Singles para ouvir até lá: “Go Out”, “There Are Too Many of Us” e “Lonesome Street”. Em julho, queremos ouvir estas e muitas outras no Super Bock Super Rock.

Outro regresso muito aguardado é o dos Tame Impala. Os meninos bonitos do rock psicadélico vão apresentar o sucessor de “Lonerism” (2012), que já tem nome – “Currents” – mas não tem data. Enquanto esperamos, ficam “Let It Happen” e “‘Cause I’m a Man”.

“Sunshine on My Back” é o único tipo de raio de sol de que Matt Berninger gosta, diz o vocalista dos The National nesta nova música. É, contudo, um single sem filiação. Não se sabe se é a introdução do novo disco dos mestres da melancolia indie. Sabe-se apenas que tem a participação de Sharon Van Etten, também ela dada a certa melancolia.

Os The Vaccines já não são novidade para ninguém – a não ser para mim. Só há pouco tempo acordei para “Come of Age”, disco de 2012 com canções aceleradas e leves como “No Hope” e “Teenage Icon”. Para me retratar do atraso, já pus em loop os dois novos temas da banda britânica, “Handsome” e “Dream Lover”, avanços de “English Graffiti”, que deverá sair em maio. Nada de novo, mas em equipa que ganha não se mexe.

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