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Capicua: “A ira da medusa”

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Ler artigo originalmente publicado na Look Mag

Depois do Porto, Capicua desce a Lisboa para se consagrar como comandante da guerrilha cor-de-rosa na capital. “Medusa”, álbum de remisturas “e uma ou outra coisa nova”, é a estrela do Lux nesta noite de coroação da rapper portuense.

Em palco entram D-One, Virtus e Vítor Ferreira ao som de uma mistura das músicas mais recentes e conhecidas de Capicua. Atrás de mesas e computadores, vão tratar dos beats que se ouvem durante o concerto e das ilustrações criadas à medida e ritmo de cada som. O palco é ladeado por cortinas de medusas luminosas que escorrem do tecto e é por detrás de uma delas que Capicua surge em palco. Acompanha de M7, a sua comitiva, Capicua entra e, curiosamente, a música extingue-se. Poucos momentos depois, percebemos que é intencional.

A rapper cria um momento solene em que debita “a capella” as rimas de “Alfazema”. Começa assim com “Sereia Louca”, o álbum com que roubou a spotlight da música portuguesa em 2014 e que, um ano depois, recupera em formato de remisturas com “Medusa”. A mensagem é de respeito no feminino e prescinde facilmente do beat. «Com tradições nascem contradições opressivas/Como lições pra sermos fracas e reprimidas/Sem auto-estima, postas de lado como um talher/Não foi pra isso que nasci uma mulher». É também ideia omnipresente na narrativa de Capicua, ela que é «comandante da guerrilha cor-de-rosa» (“Maria Capaz”). E comanda o público exigindo braço no ar (até porque “Mão Pesada” é a segunda música que se ouve e combina com o gesto).

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