Lux

Walter Benjamin: Viver e morrer no Lux

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Ler artigo originalmente publicado na Look Mag

Há muito que a data estava marcada, apesar de ser tão raro saber quando se morre. 12 de Dezembro seria a última noite de Walter Benjamin, o alter-ego de inspiração brit que acompanhou Luís Nunes na última década, entre Portugal e o Reino Unido.

Depois de se mudar para o Alentejo, Walter Benjamin escolheu Lisboa – o Lux, onde há cerca de um ano tocou o álbum “The Queen is Dead dos The Smiths” – para morrer. Organizou funeral com pompa e circunstância. Convidou amigos de longa data. Convidou muitos e desafiou as leis da Física ao conseguir juntá-los todos no palco: João Correia e Nuno Lucas, os fiéis companheiros respectivamente na bateria e baixo; António Vasconcelos Dias, também na bateria, e José Vasconcelos Dias, no sintetizador, ladeado por Pedro Girão, no sintetizador modular, e por Jakob Bazora, no órgão; João Paulo Feliciano, também no órgão; nas cordas, Manuel Dordio (slide guitar), Bruno Pernadas e Tomás Wallenstein (guitarras), e Domingos Coimbra (baixo); as vozes foram de Selma Uamusse, Afonso Cabral, Salvador Menezes, Tomás Franco Sousa e B Fachada.

Lançou o mote assim que entrou em cena, em jeito de últimas palavras: «não existe melhor sítio para se morrer, que o sítio onde se dança». E começou.

‘Our imaginary house’ é a intro de The Imaginary Life of Rosemary and Me e a primeira música que se ouve. Dá logo lugar a ‘The Cannonball’, apresentada pelo quase defunto como uma das suas composições mais antigas. É de 2008, dos tempos da também extinta Merzbau. O alinhamento segue com ‘Twenty Four’, tema mais recente. Como se fosse preciso adicionar explicações, o anfitrião explica que a música falará sobre ter 24 anos. Há uma tristeza cinzenta sobre a passagem do tempo, que se ouve em muitas das músicas de Walter Benjamin. Noutras, o tempo demora demasiado tempo a passar. É música para se ouvir dentro de um apartamento escuro a olhar para a chuva que cai do lado de fora da janela, com uma cidade grande como pano de fundo. Mas agora a cidade grande foi trocada pelas pacatez alentejana e Walter Benjamin tem de morrer para dar lugar a um novo projecto, em português.

Mas de Londres trouxe dois amigos que esta noite acompanham o funeral – a sua antiga chefe e um amigo de casa. É o mesmo que toma conta das teclas e que inspirou ‘Johnny and Lucy’, casal que gosta de bebidas caras e de ir ao Wimbledon. How very British of them.

Para ‘Drive Anyway’ (faixa que viria a integrar o inacabado álbum Robots), convida Bruno Pernadas, o responsável por uma das maiores e mais agradáveis surpresas de 2014, o álbum How Can We Be Joyful in a World Full of Knowledge. Segue-se o amigo dos tempos da FCSH, Bernardo. Ou B Fachada, como muitos deverão conhecê-lo. Em 2008, juntavam-se para gravar as primeiras melodias de Walter Benjamin.

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