Pink Floyd

Syd Barrett leva Capitão Fausto para a idade adulta

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Ler artigo originalmente publicado na Look Mag

São onze em ponto quando os Cave Story sobem ao palco. Gonçalo Formiga (guitarra e voz), Pedro Zina (baixo) e Ricardo Mendes (bateria) vêm das Caldas da Rainha e é assim que se apresentam ao público do Lux, reunido para mais uma Black Balloon. Ainda surpreendidos com a pontualidade, damos conta de uma banda revelação que nos toca sem medos ou nervosismos o (também ele) surpreendente EP “Spider Tracks”.

Do lado de cá, há verdadeiros fãs, algum “headbangin”g e moche a valer. Entre faixas aceleradas – como “Southern Hype” (cinco minutos intensos) e “Hair” (pura deriva rock) – os Cave Story cumprem a sua função de banda de abertura. Aquecem a sala e estendem o tapete para os Capitão Fausto, ainda que se oiça no público um convicto “vocês são melhores”. São, pelo menos para já, fortes candidatos ao lugar de banda promissora que até há pouco tempo era ocupado pelos senhores da noite.

De facto, quando “Gazela” foi lançado, em 2011, adivinhava-se para os Capitão Fausto um futuro brilhante, entretanto confirmado com “Pesar o Sol” (2014). Esta noite, os Capitão Fausto inauguram uma nova etapa ao agarrar Syd Barrett e Pink Floyd com arte, vontade e mestria.

O alinhamento é encabeçado por “Arnold Layne” e não podia ser de outra forma. Este é o primeiro single dos Pink Floyd de Syd Barrett, composto pelo homenageado da noite, que viria a deixar a banda em 1968, não sem antes ter marcado profundamente o seu som psicadélico. O mesmo som psicadélico que reconhecemos aos Capitão Fausto, eles que têm aqui a oportunidade de representar uma das suas influências. O desafio é de grande responsabilidade e está reflectido nas caras tensas de Tomás Wallenstein, Domingos Coimbra, Manuel Palha, Francisco Ferreira e Salvador Seabra. A banda veste-se a rigor (Francisco Ferreira traz mesmo capa intergaláctica) e a ocasião não é para menos.

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