Local Natives: “Fountain of Youth”

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O disco novo dos Local Natives é sublime em muitos aspectos. Aqui, numa gravação ao vivo, com a bordo do The East River Ferry, este que foi o primeiro single de Sunlith Youth mostra-se um tema arrebatador. Quase como se tentasse ser o hino de uma geração.

As harmonias são prova do que estes rapazes conseguem fazer. Este vídeo é uma pequena amostra do que foi o concerto dos Local Natives, em Lisboa, em 2013. Mas durante umas duas horas.

Está na altura de voltar, para mostrar Sunlit Youth.

And if we don’t change
Then who’ll change?
We’ve been dreaming of you
Drinking from fountains of youth

The National

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© Chris Godley

Já não se consegue perceber onde começou o fenómeno. A minha aposta vai para a origem na alternativa, com roubo posterior pelo mainstream.

Mas isso de pouco serve em efeitos práticos, porque a verdade é que os The National tornaram-se uma banda obrigatória para muitos públicos diferentes.

O truque é não deixar que estas canções da depressão, com letras tristes e melodias poderosas, se instalem demasiado cá dentro. Ou acabamos a verter lágrimas aos primeiros acordes, como aquele rapaz ali do lado.

Melhor mesmo é não arriscar.

Brian Wilson não é deste tempo

Como é que se recebe uma lenda? A resposta é difícil. Fazem-se homenagens com capas de jornais. As televisões ficam a postos para relatar cada momento. As músicas são repetidas até à (quase) exaustão, recordando este ou aquele pormenor.

Eram sete da tarde e até o céu se abriu para receber Brian Wilson. No Parque da Cidade, apresentava-se o cérebro por detrás dos Beach Boys e de um dos mais aclamados álbuns de sempre. Para tocar Pet Sounds, no 50º aniversário do seu lançamento, Brian Wilson trouxe consigo o companheiro da banda original, Al Jardine, e uma banda dedicada a representar todo o espírito da Califórnia dos anos 60, desde as camisas coloridas aos penteados de antigos surfistas.

Brian Wilson teve uma vida de altos e baixos, mais psicológicos do que de outra natureza. Conheceu o sucesso e as sombras, num percurso que pudemos recordar no recente filme “Love & Mercy”. E, no entanto, conseguiu criar algumas das músicas mais bonitas de sempre, mesmo que as suas letras digam coisas pouco felizes.

O público do NOS Primavera Sound 2016 soube receber Brian Wilson. Mas pareceu gostar mais do músico que criou hits de juventude, como “Surfin’ USA”, do que da mastermind que deu ao mundo as sessões de Pet Sounds. Sabemos, ainda assim, que as lendas se fazem da música que dura no tempo, em qualidade, mérito e sucesso. Pet Sounds nunca foi o disco mais popular dos Beach Boys. É um disco de culto, para lá dos sixties e do surf rock da época.

Aos 73 anos, Brian Wilson atreve-se a fazer uma tour. A alegria de poder vê-lo ao vivo esmoreceu um pouco quando, no Porto, deixou aos colegas da banda o ónus de cantar grande parte das músicas que estiveram no alinhamento. Quando se dirigiu ao público, percebemos porquê. A sua voz arrastada é sinal de alguma debilidade.

Mas a uma lenda perdoa-se tudo. Ali está Brian Wilson, com a energia que a idade lhe permite ter, a interpretar as músicas que contam uma parte da sua história. É isso que vemos quando apresenta “I Just Wasn’t Made For These Times”, pedindo ao público, com veemência, que oiça a letra da música e perceba quão triste é. Parece ter-se esquecido de que foi o próprio que a escreveu. É comovente quando se ouve a sua voz (a sua, felizmente) entoar sometimes I feel very sad. Quem nunca.

A apresentação de Pet Sounds termina mas o espectáculo está estruturado a pensar em todos os públicos. E, por isso, não chega ao fim sem tocar, em jeito de medley, alguns dos maiores êxitos dos Beach Boys. O público dança. O sol põe-se. E o rosto, ainda jovem, de Brian Wilson é projectado no ecrã do palco. Ao piano, o músico parece ter-se perdido algures dentro de si mesmo.

Ou talvez Brian Wilson não pertença mesmo a este tempo.